Nossa Bússola na Facilitação Virtual

Nossa Bússola na Facilitação Virtual: Tecnologia, Metodologia, Design e Mindset

design de processos facilitação facilitação virtual mindset tecnologia Aug 07, 2021

Desde 2018 já conduzimos mais de 80 Turmas em nosso Workshop de Facilitação Virtual, capacitando mais de 1.000 profissionais em 3 idiomas - Português, Inglês e Espanhol. Neste caminho sempre buscamos entender o que poderia tornar a capacitação de Facilitadores, Educadores e Consultores mais rápida e eficaz. E assim fomos identificando as dimensões fundamentais da Facilitação Virtual. Num primeiro momento estas dimensões eram duas: Tecnologia e Metodologia.

Tecnologia

Talvez esta seja a primeira e mais óbvia camada, visto que toda a interação e fluxo de informação são mediadas por ferramentas digitais. Estamos falando aqui do hardware (computador, câmera, fones de ouvido, microfones, etc.) e do software (plataforma de videoconferência, processador de textos, quadro branco, etc.). As opções são muitas, e seguem evoluindo dia-a-dia. Para os tecnófilos, um prato cheio. Já para os tecnofóbicos, um pesadelo. Ao final, é preciso de fato conhecer, entender e dominar algumas ferramentas fundamentais.

Metodologia

Para quem tem uma trajetória na facilitação é comum conhecer uma ampla gama de métodos, processos, teorias e abordagens para o trabalho com grupos. E claro, este repertório segue crescendo ao longo do tempo. A transição para o ambiente virtual, entretanto, não é simples nem fácil. Falo um pouco sobre os desafios desta transição em outro artigo (link aqui) Alguns métodos funcionam muito bem, outros nem tanto, e a relação com o tempo é muito diferente do ambiente presencial. Nesta dimensão é preciso testar e adaptar os métodos já conhecidos e incorporar novas técnicas para alcançar os resultados esperados.

Dedicamos muito tempo explorando estas duas dimensões devido a volatilidade da Tecnologia, que evolui muito rapidamente. E também realizamos inúmeros testes e adaptações de métodos ‘analógicos’ em uma divertida aprendizagem de métodos ‘digitais’. E foi ao conhecer bem estas duas dimensões, que se descortinou uma terceira: Design.

Design

Para alcançar excelentes resultados na Facilitação Virtual é preciso combinar a tecnologia e o método. Essa combinação, quando bem feita, enriquece a experiência dos indivíduos, otimiza o uso do tempo e potencializa os resultados.

Não basta apenas um bom método, ou um bom software. É preciso um bom design para elevar a interação do grupo e o atingimento dos resultados a tal ponto que a tecnologia e o processo passam despercebidos.

O design na facilitação virtual requer prática e atenção aos detalhes. Uma dica para acelerar o desenvolvimento nesta dimensão é compartilhar o desenho das suas agendas e pedir constantemente sugestões e feedbacks de outros facilitadores. Muitas vezes um olhar externo vai te ajudar a simplificar um processo, identificar uma melhor ferramenta, e mesmo apimentar a relação entre ambos…😉

Vale ressaltar que a facilitação virtual exige um design cuidadoso, atento e ao fim isto melhora a qualidade da facilitação. Este trabalho nos ajuda a desenvolver as habilidades de facilitação de grupo.

Como disse anteriormente, buscamos sempre formas de transferir nosso conhecimento e prática para capacitar profissionais de forma rápida e consistente. E nesta busca, recentemente identificamos uma quarta dimensão que trouxe mais clareza sobre o processo de aprendizagem e desenvolvimento dos Facilitadores em nossos Workshop: Mindset.

Mindset

A quarta dimensão é o que literalmente ‘dá o Norte’ para a Facilitação Virtual. O Mindset, ou modelo mental, é uma dimensão que requer mais tempo e esforço para ser desenvolvida. Quando passamos a pensar originalmente no formato digital, ao invés de adaptar nossa experiência presencial ao digital, o design se torna mais fluido e criativo.

Uma dica importante aqui é auto-observação e troca constante de feedback com outros facilitadores virtuais para reconhecer nossas crenças e hábitos analógicos ao migrar para o ambiente online.

Neste (longo) caminho será preciso se desapegar de alguns hábitos para incorporar novos, como por exemplo:

• Antigo hábito do ambiente presencial: Ajudar o grupo resumindo e documentando as discussões e decisões dos participantes, em geral usando um flip-chart.

• Novo hábito no ambiente virtual: Dar estrutura e autonomia para que em pequenos grupos os próprios indivíduos documentem suas discussões e decisões em documentos compartilhados.

» Antigo hábito do ambiente presencial: Confiar na sua própria ‘leitura de grupo’ para aferir se o processo está caminhando a contento e se todos estão engajados e produtivos.

» Novo hábito no ambiente virtual: Checar verbalmente com o grupo, pedindo indicações explícitas se estão avançando e se todos estão ‘a bordo’.

+ Antigo hábito do ambiente presencial: Ter como apoio visual um conjunto de slides projetados em uma tela, o que no virtual se tornou o excessivo ‘compartilhamento de tela’.

+ Novo hábito no ambiente virtual: Compartilhar o link para os slides com os participantes, verbalizando em qual slide está trabalhando, dando autonomia e elevando o engajamento.

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Recapitulando e sintetizando as quatro dimensões:

Tecnologia: a dimensão mais explícita e objetiva.
Identifique o que é necessário, e aprenda na prática. Menos é mais.

Metodologia: um campo de experimentação e adaptação criativa.
Simplificar e quebrar processos longos em etapas curtas é fundamental.
O simples traz resultados positivos sempre.

Design: uma enorme oportunidade de aprendizagem e troca com pares.
Conecte-se, amplie sua rede e troque o máximo possível. Quanto mais se compartilha, mais se tem. Teste, faça pilotos, experimente com pessoas próximas de sua rede.

Mindset: uma jornada sem fim de auto-observação e auto-desenvolvimento. Aproveite a viagem e divirta-se. Rir de si mesmo é fundamental…😜

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Espero que este modelo e as dicas acima possam descortinar áreas de desenvolvimento e alavancar os resultados em sua jornada!

Trabalhando remotamente de forma consistente desde 2015, tive o privilégio de encontrar pessoas incríveis ao longo do caminho que me ensinaram, apoiaram e viveram comigo diversas dores, delícias e surpresas que contribuíram com o meu desenvolvimento. Minha intenção aqui é compartilhar o que venho aprendendo e seguir trocando com a comunidade de Facilitadores.

Fernando Murray Loureiro
Praticante das Estruturas Libertadoras, Designer de Processos de Grupo e Fã da Aprendizagem Experiencial.

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