Jun 2 • Um novo espaço e ritmo
Hoje fazem quatro dias que estamos vivendo em nosso motorhome.
Escrevemos agora do Nelson Campground, um camping arborizado dentro da própria cidade, desses lugares curiosos onde a natureza e a vida urbana coexistem de forma bela e simples. Tem chovido bastante. E é muito bom ouvir a chuva cair do lado de fora enquanto estamos aqui dentro, protegidos e quentinhos.

Vai Maria no Nelson Campground
Nesses primeiros dias, amigos têm vindo nos visitar. Entre cafés, conversas e encontros no campground, vamos nos despedindo aos poucos, aproveitando o verão canadense antes da partida.
Mas sair de casa deu muito mais trabalho do que imaginávamos! Neste texto de Abril, usamos a expressão “mais perdido que cachorro em dia de mudança”. Pois então, estas últimas semanas foram intensas para Mila e Maya e para nós também. Estávamos todos bem 'atarantados'.
Foram semanas onde os verbos eram doar, vender, guardar e eliminar. A quantidade de coisas nos assustou. Livros, casacos, botas, mochilas, barracas, equipamentos de esqui e camping, utensílios de cozinha e da casa, roupas, pequenos objetos que foram se acumulando ao longo dos anos. Tudo com muitas memórias e significados que fomos construindo nestes 13 anos em Nelson.
Surpreendentemente, Miguel foi o primeiro a concluir seu processo de arrumar e se despedir das suas coisas. Seu quarto foi o primeiro cômodo a ficar livre, e seu novo quarto o primeiro a tomar forma no motorhome. Isso diz muito pros pais também...🤔

Nosso depósito
A última ida ao depósito, onde guardamos o que fica, foi um marco. E o retorno também. Quando voltamos e vimos Vai Maria estacionada, sentimos um alívio difícil de explicar. Sabemos que nela já estão nossa comida, roupas e os equipamentos para a estrada.
E certamente ainda temos mais do que precisamos: Na primeira tarde morando aqui, já tiramos uma caixa inteira de coisas desnecessárias. Mesmo depois de toda a triagem, ainda há excessos. Abrir espaço para o que realmente importa parece ser um exercício contínuo!

Mas aos poucos, a vida aqui dentro vai encontrando seu jeito. A organização melhora a cada dia. Estamos descobrindo onde cada coisa funciona melhor, fazendo ajustes, testes, mudanças. A geladeira e nosso velho barril de viagens de canoa estão cheios de comida vinda da casa: provisões para as próximas semanas.
E outra grande mudança que percebemos é no nosso ritmo.
Dirigir um motorhome é bem diferente de dirigir um carro. Tudo pede mais antecipação, mais cuidado, menos velocidade. Estacionar o motorhome leva tempo e exige manobras, com uma pessoa dentro e outra fora, ajudando a visualizar o espaço. E a vida aqui dentro segue a mesma lógica. Cozinhar, guardar, mover objetos de um lado para o outro, tudo leva um pouco mais de tempo. Tudo pede presença.
Estamos vivendo um ritmo mais lento, mais atento, mais simples e leve.

Mila e Maya se acostumando com sua cama perto da cabine
Ainda faltam duas semanas para deixarmos Nelson. Até lá, vamos acampar em lugares diferentes, aproveitar este precioso verão, receber os amigos e celebrar as despedidas.
Mas um limiar importante já foi cruzado:
A Travessia de fato começou na porta de saída de casa.


Fernando Murray Loureiro
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