Jul 2 • Tanque cheio
Foram três semanas de muitas despedidas, e entre abraços e lágrimas partimos de Nelson. Incontáveis bênçãos e muito amor em cada palavra, em cada abraço. O sentimento foi de sermos amados por muitos, e assim, nessa vibração de amor e alegria, partimos rumo ao Brasil, mais especificamente, Floripa!

E neste começo de viagem, podemos afirmar que temos encontrado pessoas lindas e interessantes. Por onde passamos, recebemos muito amor, generosidade e boas energias. 🧡
Dia 17 de Julho saímos de Nelson rumo a Vancouver. No caminho, passamos uma noite em Oliver, em uma fazenda onde cabras e porquinhos vinham até a cerca pedir carinho. Eu nunca tinha visto um porco deitar encostado na cerca daquele jeito: parecia um cachorrinho pedindo colo. Foi uma noite tranquila, dessas que servem como pausa entre um destino e outro: um momento de descanso, silêncio e céu estrelado antes de seguir viagem.
Seguimos para Vancouver e estacionamos direto na festa de aniversário da prima-irmã da Carolina: Fernanda. Bons papos, pessoas queridas e comida deliciosa. Foi muito especial podermos dar um abraço de aniversário na Fefê.
Dormimos na porta da casa deles e, na manhã seguinte, tomamos café juntos antes de preparar o carro para atravessar a fronteira. Sabíamos que os oficiais americanos podem ser bastante criteriosos, então fizemos a última conferência dos nossos documentos e de nossas cachorras Mila e Maya. Comemos o restante das frutas frescas; os vegetais ficaram no Canadá. Criamos novos números de celular para Carol e Miguel usarem durante a viagem, revisamos tudo mais uma vez e seguimos para o "portal".
Cruzar a fronteira foi muito mais tranquilo do que imaginávamos. Demorou um pouco, é verdade, mas nem olharam as cachorras, nem pediram comprovantes de vacinação.
Sempre achamos que existem duas boas dicas para passar por uma fronteira: a primeira é responder exatamente o que foi perguntado, de forma clara e sucinta. A segunda é dizer a verdade. Temos a impressão de que, quando eles percebem que você é confiável, não precisam procurar problemas onde eles não existem.
Havia dois oficiais: uma mulher, que parecia estar há pouco tempo na função, e um homem mais experiente ao lado dela. Ela perguntou quando voltaríamos para casa. Respondemos que não sabíamos, e ela ficou um pouco confusa. Então o colega entrou na conversa e reformulou a pergunta:
"Quanto tempo vocês vão ficar nos Estados Unidos? E quando voltam para casa... para o Canadá?"
Explicamos que ficaríamos cerca de 45 dias nos Estados Unidos, mas sairíamos pelo México e, de lá, iríamos para o Brasil.
Ele deu um sorriso de canto de boca, repetiu a mesma pergunta e nós repetimos exatamente o mesmo roteiro. Deu de ombros, olhou para o colega e disse:
"Well..."
E autorizou a entrada. Mais uma passagem de fronteira concluída com sucesso e sempre comemoramos, porque essa travessia é sempre imprevisível.
Dali seguimos para La Conner, onde fomos recebidos pelo casal Larry e Nancy White. Eles vivem em um pedaço de terra encantador, na costa, repleto de artistas em um território cuidado pela comunidade indígena. Ali existe uma luz difícil de descrever: o sol refletindo no mar faz tudo ganhar vida. Mesmo quando o vento frio chega no fim da tarde, há um calor naquele lugar que não vem da temperatura, e sim da cor.
Junto com este casal maravilhoso estava Keith McCandless, que trouxe queijos e vinhos para celebrarmos uma tarde entre amigos. Conversas leves, profundas, divertidas e cheias de significado - daquelas que passam por muitos assuntos e, sem que a gente perceba, deixam alguma coisa diferente flutuando e presente em nós.
Para completar, Nancy preparou um peixe chamado Black Cod (Bacalhau Negro do Pacífico), e podemos dizer, sem exagero, que ele entrou para a lista das refeições inesquecíveis da viagem. Só de lembrar, suspiramos.

Foram dois dias de conversas deliciosas, refeições compartilhadas e muita natureza. Participar do jantar em família foi um presente. Nancy e Larry nos acolheram com uma gentileza rara, dessas que fazem a gente se sentir em casa.
Foi o melhor jeito possível de começar nossa jornada pelos Estados Unidos.
Saímos de La Conner com a sensação de ter abastecido um tanque invisível: não de gasolina, mas de afeto, amizade e boas energias. E esse combustível rende muito chão de estrada.


De La Conner subimos de volta um pouco ao norte para encontrar mais dois amigos queridos: David Westerlund e Meg Harris. Juntos preparamos e conduzimos um dia de Introdução às Estruturas Libertadoras para a comunidade local de facilitadores e educadores em Bellingham. Tecnicamente foram dois dias de trabalho, mas, quando fazemos o que amamos, com pessoas admiráveis, dedicadas e buscando o melhor em cada um, o trabalho e a diversão parecem estar lado a lado. Foram dias seriamente divertidos!

Depois, finalmente, apontamos Vai Maria novamente para o Sul, rumo à Highway 101 (indicação de outro amigo, Mike), e fomos conhecer o belíssimo litoral de Washington e do Oregon.
A primeira parada foi num espaço de acampamento selvagem repleto de amoras silvestres. Antes de nos recolhermos para a noite, colhemos um balde de frutas que Carolina transformou em uma deliciosa geleia no dia seguinte.

O segundo local onde acampamos foi uma surpresa e uma experiência única: East Dunes, uma enorme área dedicada a ATVs, quadriciclos de todas as classes. Eram pequenos, grandes e enormes, além de pick-ups, caminhões, trailers, motos e muita movimentação e sons pelas imensas dunas cercadas pela vegetação do litoral. Um estranho e curioso encontro de uma cultura de motores e natureza. E um detalhe: o horário de silêncio era "apenas" da meia-noite às seis da manhã. E o ronco dos motores e as músicas que vinham dos veículos seguiram fielmente estes horários…
Para nossa sorte, foi apenas uma noite no "circo dos quadriciclos", pois no dia seguinte fomos para o acampamento localizado mais ao Sul, perto das lindas dunas que abraçavam um braço de mar que invadia o continente. Aliás, foi por ver essa área no mapa que escolhemos parar ali. Só não lemos as avaliações e comentários do local...
Ficou o aprendizado: olhar o mapa não basta, é preciso olhar também as avaliações e comentários!
Em Sandbeach foram 3 noites de paz e tranquilidade, aproveitando para pedalar, caminhar e passear na areia.


Nossa próxima parada é na Califórnia, onde vamos nos afastar do litoral para conhecer o famoso Monte Shasta.
E, como toda boa viagem, sabemos apenas parte do roteiro. E vamos desenhando conforme os encontros, as conversas, os sabores, as cores e as boas surpresas que só aparecem para quem está disposto a seguir em frente.
Seguimos aqui e curiosos para saber:
Qual foi a última "fronteira" que você atravessou, literal ou não?
Contem pra gente nos comentários ou respondendo nosso email!

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