Mai 1 • GOING MERRY
Desde o primeiro encontro com o motorhome, tinha algo ali. A entrega, o momento de entrar, de olhar em volta… foi meio mágico. Um reconhecimento imediato. Foi amor à primeira vista.
Não parecia que a gente estava comprando um motorhome.
Estava encontrando nossa próxima casa!
E com isso veio a pergunta: qual o nome?
Dar um nome a um filho, pra mim, é uma das coisas mais difíceis. Sempre penso: ele vai carregar esse nome, esse som, esse significado por toda a vida. Já dar um nome a um “carro”… parecia que seria mais simples.
Então nos reunimos, nós três, e começamos a jogar ideias, sem filtro nenhum. Vieram nomes de todo tipo: alguns sérios, outros completamente sem noção, alguns com um significado mais profundo e outros que só serviam pra fazer a gente rir. Foi leve, intuitivo… bem do nosso jeito.

Os nomes ficaram ali, espalhados sobre a mesa de jantar. Por três dias, a gente olhava, repetia em voz alta, sentia. Aos poucos, alguns foram saindo, outros perdendo força. No meio desse processo, fomos pesquisar melhor o Going Merry… e aí tudo começou a se encaixar.
Pra quem não conhece, Going Merry é o nome de um barco do universo de One Piece, mas não é só um barco. Ele é o primeiro companheiro de jornada de uma tripulação que cruza mares impossíveis atrás de seus sonhos. Este barco enfrenta tempestades, batalhas, danos que parecem irreversíveis… e, ainda assim, segue. Em certos momentos, é como se tivesse vontade própria, como se cuidasse de quem está dentro dele. O anime sugere algo bonito e raro: que objetos também podem carregar presença, memória, até uma espécie de alma ou espírito, construída pelo vínculo com quem vive ali. Existe ali uma relação que vai muito além da função.
E foi isso que tocou a gente.
Porque, no fundo, não parecia que estávamos escolhendo um nome para um veículo. Estávamos reconhecendo uma relação.

Going Merry, do universo de One Piece
Quando o Miguel trouxe o Going Merry, inspirado em One Piece, fez sentido na hora.
Curioso é que “merry”, em inglês, significa algo como alegre, festivo, leve. Não tem relação direta com “Maria”. Mas, pelo som, especialmente com sotaque de dois brasileiros falando inglês, quase parece. Mesmo não sendo...
E daí nasceu também a nossa versão mais íntima, mais nossa, mais Brasil: Vai, Maria.
E, de algum jeito, isso também combinou com a gente: não é literal, é sentido.
Dar um nome mudou tudo. Aquilo que poderia ser “só um transporte” começou a ganhar outras camadas. Virou casa em movimento, espaço de travessia, integrante da aventura.
E talvez por isso o nome tenha vindo assim: leve, sem esforço, como quem só reconhece algo que já estava ali.
E se, no anime, o Going Merry ajudava a tripulação a atravessar mares e desafios, a gente gosta de imaginar que, aqui, não vai ser tão diferente.

Km a km, vamos aprender juntos. Na convivência. Na navegação. Vamos aprender a viver sobre rodas. E assim, se lançar corajosamente a um novo projeto. Um sonho!
Vai, Maria.

Carolina Ribeiro de Almeida
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