Oct 1 • As Pessoas Que Ficaram
Estou gostando dessa viagem do Canadá ao Brasil mais do que eu esperava. Na Califórnia, no Arizona, no México e na Guatemala, já vi muita coisa legal, inclusive alguns carros incríveis: um Maserati, um Hellcat, até um Jeep Grand Cherokee Trackhawk. Pequenos momentos assim me lembram como cada lugar é diferente. Às vezes esses carros passam pela janela, às vezes eu os vejo na rua. Sempre que consigo, tiro uma foto, e a gente segue.

Também encontrei pessoas que nos ajudaram quando mais precisamos. Na primeira caseta de cobro, o pedágio mexicano, levamos um susto: só tínhamos cartão e dólares, nada de pesos. E dar ré com a Vai Maria, no meio de uma rodovia, não é exatamente simples. Fiquei muito feliz com a gentileza vinda de Toño e Susy, que até outro dia eram estranhos, pagando nosso pedágio.
Algumas coisas mudaram mais perto de mim também. A Maya, minha cachorra, não dorme mais comigo na cama. Aqui na Vai Maria, a minha cama fica lá no alto, em cima da cabine, e seria difícil tirar os pelos dela de lá. Ela está a poucos passos de distância, mas sinto falta dela ali do meu lado.

Mas, sendo sincero, a parte que mais ficou comigo foi algo que eu temia antes mesmo de partirmos: eu achava que ia perder a maioria dos meus amigos nessa viagem. Imaginei que a distância faria o que costuma fazer, em silêncio.
Não foi isso que aconteceu. Continuo falando com eles pelo Snapchat e pelo iMessage, sempre que estamos conectados (o que, estranhamente, não é o tempo todo). E eles perguntam de verdade: como está a viagem, o que já vimos, como eu estou. Saber que tem gente do outro lado que se importa, que continua presente, significa mais do que eu esperava.
Os carros passam. Essas pessoas ficaram.

E agora estou olhando para frente, curioso pelo que vem: como vai ser a escola no Brasil, quem eu vou conhecer. Gente nova, amigos novos, uma nova versão de "normal". Ainda não sei exatamente como vai ser, mas estou animado para descobrir.
Se você também já teve medo de que a distância levasse alguém embora, ou se tem alguma curiosidade sobre a viagem na minha perspectiva, conta nos comentários.

Miguel Loureiro
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